sexta-feira, 4 de abril de 2014

Memórias em silêncio


Junho de 1998. 
Passava férias em Lisboa, na casa dos meus tios e com "aquele" primo que todos temos. Num dia de junho do qual não tenho memória o meu primo Pedro convida-me para ir à expo98 ver uns tais de Silence 4. Eu, sedento de aventura que não tinha em Torres aceitei de pronto....e começava aqui a ser escrita uma página da minha vida que jamais esquecerei.... Nessa noite, além de ter comido o meu primeiro hambúrguer do McDonalds ouvi um concerto que me fica na memória. A partir daí passei a ser fã dos Silence 4 e fiz dos Silence 4 os meus ídolos. 
Os meus amigos dessa fase recordam com toda a certeza o discman que trazia sempre comigo com um único cd apenas, o Silence Becomes It. Cd que sabia de trás para a frente, da frente para trás e até em tradução para português sabia de cor. Passei a usar tenis rasos e t-shirt (ou camisa de manga curta) por cima de uma long sleeve. Tinha no meu quarto um poster gigante, mas gigante mesmo, maior que eu que ocupava toda a parede do meu quarto. Poster esse tirado da porta de uma loja de discos que o deixara durante a noite cá fora...e anos mais tarde tive como nick name no velho Mirc "smile on" retirado da música to give. Os Silence 4 marcaram uma fase da minha vida, tempos antes perdera o meu pai, chumbara de ano e tinha sido operado a um joelho maldito...operação essa que correu tão mal como o ano me estava a correr e ainda hoje sinto dores. Os Silence 4 foi como a banda sonora do recomeço da minha vida em paz, sem problemas de outrora a, agora sim, com problemas de adolescente. Assisti a mais dois concertos, um na discoteca Faraó, em Torres e no último dia na expo....esse mais difícil de ver mas nesse dia consegui ver o ensaio geral quase sozinho, numa praça sony quase vazia. No entanto fica a mágoa de não poder ter ido ao concerto do dia 18 de dezembro de 1998. Lembro-me como hoje que ouvi e gravei numa velha K7 o concerto através da rádio comercial. Durante quase um ano acordei ao som de várias músicas inéditas que nesse concerto foram cantadas, como que a tentar apaziguar a mágoa da ausência desse dia.
Sábado, 15 anos depois do meu Primo Pedro me ter mostrado o que era os Silence 4, de ter vivido metade da minha vida e já longe dos anos mágicos da adolescência .....não podia faltar. Vai ser como viver tudo outra vez e repor a justiça. Sábado lá estarei com uma história para recordar em cada verso de cada música por eles entoada....e reviver o passado. Muitos anos depois ....muitas coisas se passaram mas a paixão pelo silêncio continua viva e poderei, mesmo sabendo que s
erá a despedida, despedir-me de um grupo que foi muito importante na minha vida....uma vida com alegrias, e tristezas mas como eles próprios diziam....." Are problem star when we dont die young"

Foto: André Carvalho
Local: Lisboa
Data: abril 2014
Texto: André Carvalho

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

28 de agosto sempre!


Desde 2008 que o dia 28 de agosto para mim tem um significado forte. Neste dia cheguei e neste dia, quatro ano depois, parti da cidade que me preenche o coração.
Passado um ano da partida, e apesar de visitar quem lá deixei com regularidade....falta-me muita coisa...as saudades permanecem e são alimentadas de uma forma que sei que nunca as irei fazer desaparecer....por isso hoje, e principalmente hoje, sinto-me assim:

Lembro-me de ti
Como se fosse um regresso a casa
As ruas escuras à noite
O medo de quem quer voltar

E passo por ti
Condenado a sentir um vazio
Na hora de te abandonar
A lembrança de quem quer ficar
A cidade por descobrir
Um adeus, vou partir

Confesso-me a ti
Ó cidade de noite encantada
Lembras-me a vontade
Hoje eu vou ficar

Agarro-me a ti
Confrontado a saudade que sinto
A hora está-se a aproximar
As memórias de quem quer voltar
Um segredo que vou descobrir
O adeus, vou partir

E passo por ti
Condenado ao vazio
A ansia de querer voltar
O adeus que não te vou dizer

Espero aqui
Com o mar controlado
A história de ter um passado
A idade de te conhecer
A cidade por descobrir
O adeus, vou partir


Foto: André Carvalho
Local: Cabanas de Tavira
Data: abril 2010
Texto: André Carvalho; Tara Perdida (Lisboa  - adaptado)

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Errar



Quando pegamos num lápis para escrever, esperamos sempre escrever a melhor história de sempre. Escrevemos e escrevemos sem parar ....sempre com melhor caligrafia porque com a prática vamos escrevendo melhor. Por vezes a caneta borra a escrita sujando as linhas em branco, limpas e puras. A caneta não é uma máquina e, acima de tudo, é comandada por um ser humano que vive constantemente de erro em erro em busca da perfeição que nunca encontrará.

Quando sonhamos, sonhamos com um sorriso nos lábios. Sonhar é como viver uma segunda vida, a vida que queríamos, a vida que idealizamos....é bom sonhar....o pior será sempre repetir o erro de acordar...o despertar para a realidade.

Quando nos apaixonamos....entregamo-nos, vivemos, dividimos, choramos e sorrimos sempre ao lado de quem escrevemos textos com linhas douradas, amargas, coloridas e cinzentas, ao lado de quem com que sempre sonhámos....é o reflexo do amor....não queremos mais borrar linhas e não queremos mais acordar...queremos respeitar, respirar, viver, amar, tocar, sentir, confiar e....errar....o erro estará sempre na nossa vida como está o palpitar de um coração...errar é para quem tem sangue....para quem tem na sua alma outra alma....errar é humano e o erro passa a um simples percalço quando é reconhecido, falado, esmiuçado e ultrapassado na base de que não se repetirá. Quando o ser humano foi criado por alguma razão o foi sem nada saber....o ser humano cresce sempre na base do erro....o ser humano cai uma imensidão de vezes até aprender a andar. O ser humano diz uma vastidão de asneiras até aprender a falar....dá nós cegos na vida até aprender a viver.....mas nunca aprenderá a viver se não conseguir ver o que errou e, acima de tudo......nunca aprenderá a viver enquanto não reconhecer que errou.
Amamos, choramos, sorrimos, saltamos, andamos e caminhamos....vivemos uma infinidade de experiências e vivências mas temos de respeitar aqueles com quem dividimos o amor, os sorrisos, as lágrimas, os saltos e os amassos....


Foto: André Carvalho
Local: Costa de Caparica
Data: abril 2013
Texto: André Carvalho

terça-feira, 23 de abril de 2013

Há 15 anos que não tinha 15 anos



Há 15 anos que não tinha 15 anos!
Já tinha saudades de ter 15 anos. Essa idade onde nos julgamos ser mais do que na realidade somos. Aquela idade em que estamos lá fechados no armário, onde as borbulhas surgiam de dia para dia. Aquela idade em que o corpo cresce, a voz muda, a feições atravessam uma metamorfose constante. A idade do cabelo mais comprido e encebado que o habitual, das t-shirts largas e das calças usadas dias consecutivos só porque nos achamos os mais "cool's" da escola. A idade dos ténis rotos. A idade que temos um estilo que só nós compreendemos.
A idade que não queremos ouvir mãe, não ligamos aos conselhos do pai, detestamos os irmãos e só os amigos é que sabem...amigos esses que também têm 15 anos.
Ter quinze anos é uma espécie de maçonaria juvenil.
Há quinze anos que não tinha quinze anos, é assim que quero pensar. Durante 15 anos muita coisa se viveu...muita coisa se perdeu. Chego hoje aos trinta anos e o único pensamento que tenho ao pensar no que já passou é: "já passaram 30 anos?!" De facto foram 30 anos que voaram como tantos sonhos e planos que durante os mesmos fiz.
Foram 30 anos ao jeito do jogo da glória: um sobe e desce constante cheio de avanços e recuos até chegar à casa onde estou hoje.
Provavelmente atingi o primeiro terço da minha vida. Se podia ter sido escrita de outra forma? podia, mas a vida levou o rumo que o destino quis.
Não entro em dramas da saída dos "vintes", os sonhos dos vintes continuam de pé, os objetivos dos vintes permanecem intactos...Tenho uma vida que há 15 anos não julgava ter.... continua a faltar aquele ou aqueles que tanto quero...que tanto desejo....com os anos chegarão...e aí sim...a vida mudará o seu sentido e o seu valor...a altura em que a nossa vida passa para as mãos de outra(s) vida(s)
até lá continuarei... ontem com 15, hoje com 30, a viver com aquilo que nunca irei dispensar: a capacidade de adormecer tranquilo e andar sempre de cabeça levantada...foram 30 anos assim...serão todos os que se seguem assim.

O sonho esse continuará sempre a comandar a minha vida.


....será o segundo ano sem te ouvir a dar-me os parabéns com essa voz que ouvi desde os primeiros minutos de vida...mas continuas sempre bem viva dentro de mim.

Foto: André Carvalho
Local: Cabanas de Tavira
Data: setembro de 2011
Texto: André Carvalho

quarta-feira, 10 de abril de 2013

sinais


A vida será sempre feita de letras, palavras, frases e sinais de pontuação. 

São os sinais de pontuação que dão sentido a um texto que terminará com um ponto final parágrafo depois da última frase, da última palavra, da última letra escrita. Nesse dia espero poder ir descansado com o texto que escrevi. Espero colocar esse ponto com todo o conforto de que vivi o que tinha para viver, de que fiz feliz quem tinha que fazer. De que ri, de que chorei, de que vi e li o que tinha para rir, chorar, ver e ler. 
Na vida fazemos pausas para pensar, paramos para interrogar, paramos para exclamar ou mesmo pedir alguma coisa. Colocamos reticências quando algo fica por dizer...e às vezes o texto tem tantas reticências que percebemos que só as usamos para poder continuar a escrever aquilo que queremos muito que se escreva e que sabemos que é preferível ter reticências seguidas de palavras bonitas do que ter as palavras amargas que deveríamos dizer, correndo o risco de ter de usar pontos finais. No entanto, pontos finais não querem dizer que mudamos de assunto. Ponto final pode ser um recomeço de uma nova frase com o mesmo assunto. Os pontos finais têm essa vantagem: podemos usá-los como queremos para dar sentido ao nosso texto.
Um parágrafo pode ter muitos sinais de pontuação, o que não pode ter é ideias, assuntos relacionados com parágrafos anteriores. Um texto correto muda de assunto a cada parágrafo. Um texto correto não vem buscar temas a parágrafos anteriores. Cada parágrafo terá de ser escrito com novas ideias. Podemos usar as mesmas personagens, os mesmos locais mas com outro sentimento.
O texto que escrevemos ao longo de dias, anos, décadas ficará guardado num livro que contém milhares de histórias que nada têm haver umas com as outras ....e neste livro o nada é tanto.
O meu texto tem ainda poucas linhas, muitas palavras, algumas frases e muitos sinais de pontuação...com alguns parágrafos, uns voluntários outros forçados ....mas acima de tudo tem no seu autor a certeza de que muitas frases ainda serão escritas nos melhores parágrafos que poderá escrever.


Foto: André Carvalho
Local: Santa Cruz
Data: abril de 2012
Texto: André Carvalho

sexta-feira, 15 de março de 2013


O segredo é não tentar antecipar o que, no seu devido tempo, irá chegar.


Mares convulsos, ressacas estranhas
Cruzam-te a alma de verde escuro
As ondas que te empurram
As vagas que te esmagam
Contra tudo lutas
Contra tudo falhas
Todas as tuas explosões
Todas as tuas explosões
Redundam em silêncio
Redundam em silêncio

Nada me diz
Berras às bestas
Que te sufocam
Em abraços viscosos
Cheios de pavor
Esse frio surdo
O frio que te envolve
Nasce na fonte
Na fonte da dor
Foto: André Carvalho
Local: Ponta Delgada
Data: março de 2013
Citação: André Carvalho
Texto: Xutos e Pontapés (remar remar)


terça-feira, 26 de fevereiro de 2013


O pior não é desconfiar de quem nos rodeia, é desconfiar do próprio destino!


Havia a solidão da prece no olhar triste
Como se os seus olhos fossem as portas do pranto
Sinal da cruz que persiste, os dedos contra o quebranto
E os búzios que a velha lançava sobre um velho manto
À espreita está um grande amor mas guarda segredo
Vazio tens o teu coração na ponta do medo
Vê como os búzios caíram virados p'ra norte
Pois eu vou mexer o destino, vou mudar-te a sorte (bis)
Havia um desespero intenso na sua voz
O quarto cheirava a incenso, mais uns quantos pós
A velha agitava o lenço, dobrou-o, deu-lhe 2 nós
E o seu padre santo falou usando-lhe a voz
Foto: André Carvalho
Local: Manta Rota
Data: abril de 2012
Citação: André Carvalho
Texto: Ana Moura (Búzios)



terça-feira, 1 de janeiro de 2013

há exatamente um ano

" as pessoas são como molas, só as mais fortes nos agarram. As mais fracas deixam-nos ir com uma simples brisa!"

Há exatamente um ano começava com este meu "momento".  A ideia de juntar fotos que tirava a músicas parecia-me ser algo, no mínimo, tranquilizante. Com o tempo fui associando as mesmas fotos, as mesmas músicas a frases que elaborava ..... um ano depois a ideia mantém-se.
Há exatamente um ano não podia imaginar a volta que a minha vida deu. Estava longe de imaginar que 5 dias depois via uma das mulheres da minha vida partir, que meses depois assinava a minha despedida de da minha cidade de coração onde tanto vivi, onde tanto ficou, que um semestre depois atingia, profissionalmente, o que eu julgaria demorar anos a atingir...se atingisse.
Há exatamente um ano não sabia o que iria perder, o que iria ganhar, o que iria sorrir e o que iria chorar....no fim, por  vezes ainda julgo que perdi mais do que ganhei e chorei mais do que sorri. Tudo depende do vento que a vida sopra e em que direção esse vento me faz caminhar.
Há exatamente um ano não sabia as pessoas a quem ia dizer adeus, a quantas ia dizer olá e a quantas ia dizer adeus e olá no mesmo ano....no fim espero ter dito um adeus definitivo e um olá eterno.
Há exatamente um ano não previa quando é que, finalmente, o dia ia surgir no lugar da noite....e lá o dia quis surgir.
Há exatamente um ano não saberia o quanto difícil  está de esquecer o que começou ....há exatamente um ano.

Feliz Ano de 2013!


Foto: André Carvalho
Local: Lisboa
Data: dezembro de 2012
Citação: André Carvalho
Texto: André Carvalho

domingo, 28 de outubro de 2012

um novo dia



"Um novo dia não pode ignorar o anterior mas pode ser vivido de uma maneira diferente com tudo o que aprendemos com ele."

Só por um momento, na curva da estrada
falas-me de ti, do rumo que tarda
é hora de escolher, e p’ra ti é tudo ou nada

És filha do mundo, com vontade de mudar
......rompes o silêncio, à prova de bala
dás-me a tua voz, que nunca se cala
já não te queixas de mim,
mas nada nasce no fim

Onde está a revolução, eu já não te posso valer
descontas no tempo, um estado de graça
beco com saída, fogo que não passa
amanhã longe daqui,
serei eu que te perdi
Mas tu

Vai e sê feliz
não olhes para trás (deixa lá)
vai e sê feliz


Foto: André Carvalho
Local: Torres Vedras
Data: setembro de 2012
Citação: André Carvalho
Texto: Vai e sê feliz (Quinta do Bill)

domingo, 2 de setembro de 2012

Um lugar ao sol...


O pôr do sol é como a perda de uma vida num jogo eletrónico. Temos sempre de tentar chegar o mais longe possível para quando recomeçarmos a vida seguinte estarmos mais perto do objetivo que queremos atingir.


Se souberes adormecer
com o dia no olhar
O teu sonho viverás
E ao chegar o amanhecer
Não terás que aceitar
Entrar no jogo a perder
Para procurar um lugar
um lugar ao sol sempre teu
sei que é um sonho e não pertence a mais ninguém
O teu lugar ao sol
Se souberes acreditar
que sonhar é só viver
e viver imaginar
Vais conquistar um lugar
um lugar ao sol sempre teu
sei que é um sonho e não pertence a mais ninguém
o teu lugar ao sol
Não pares de lutar
agarra o dia ao nascer
há uma batalha a travar
que só tu podes vencer...
só tu podes vencer
Um lugar ao sol
assim que o dia nascer
o teu lugar ao sol


Foto: André Carvalho
Local: Santa Cruz
Data: setembro de 2012
Citação: André Carvalho
Texto: Um lugar ao Sol (Miguel Ângelo)

terça-feira, 10 de julho de 2012


"Não é pelo facto de se cair que nos vamos tornar mais feios."


Foto: André Carvalho
Local:Conceição de Tavira
Data: julho de 2012
Citação: André Carvalho

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Caminho



"Não nos podemos arrepender de uma decisão que tomamos baseada apenas naquilo que sabemos agora."


"Quantas voltas são precisas
Para escolher um só caminho?
E sentir que é meu para Sempre!
Quantas vezes, indeciso
Eu desisto de vencer
E decido ser prudente
Evitando o que é diferente.

É o tempo roubado à razão de existir
Um momento passado e perdido
É o Amor
Precioso

Um Destino traçado num mapa a Fingir
Um Futuro Distante, Iludido
é o Amor
Precioso

Quantas feridas são precisas
Para escorrer um sangue novo
E acender a chama ausente
Prometendo que é para Sempre!

Foto: André Carvalho
Local: Zambujeira do Mar
Data: junho de 2012
Citação: André Carvalho
Texto: Miguel Ângelo (Precioso)

sábado, 23 de junho de 2012

O que somos!



"Inicialmente não somos mais nem menos que os outros, apenas interpretamos a vida de forma diferente.... e aí é que uns passam a ser mais que os outros."
Não somos mais
Que uma gota de luz
Uma estrela que cai
Uma fagulha tão só na idade do céu
Calma, tudo está em calma
Deixa que o beijo dure
Deixa que o tempo cure
Deixa que alma
Tenha a mesma idade que a idade do céu
Não somo mais
Que um punhado de mar
Um gracejo de deus
Um capricho do sol do jardim do céu
Calma, tudo está em calma
Deixa que o beijo dure
Deixa que o tempo cure
Deixa que alma
Tenha a mesma idade que a idade do céu
Foto: André Carvalho
Local: Tavira
Data: junho de 2012
Citação: André Carvalho
Texto: Susana Felix (Idade do céu)


sexta-feira, 1 de junho de 2012

Ser criança




"Se cada criança soubesse a saudade que, quando for adulto, vai ter desses tempos não seria uma criança feliz, pois esses são sentimentos mais adultos! A magia da vida é isso, viver sem saber o que vai sentir amanhã. 
No entanto...ser criança é a melhor fase das nossas vidas."
Ainda me lembro
Quando tinha a tua idade
Corria pelas ruas
E não percebi
São esses tempos
Que nos deixam mais saudades
Os melhores momentos
Que eu já vivi
Se eu voltasse atrás
Por minha vontade
Trocava alguns anos desta vida
Por um só dia na tua idade
As noites passadas
À volta de uma fogueira
As histórias contadas
Em tom de brincadeira
Promessas eternas
E segredos que guardava
Os amigos que fazia
Por onde passava
Se eu voltasse atrás
Por minha vontade
Trocava alguns anos desta vida
Por um só dia na tua idade
Foto: André Carvalho
Local: Tavira
Data: 1 de junho de 2012
Citação: André Carvalho
Texto: Polo Norte (Se eu voltasse atrás)

domingo, 22 de abril de 2012

O dia de amanhã!




Amanhã será o meu dia. O dia em que, numa manhã calma, faz 29 anos que vim ao mundo. 
Após sair do hospital a minha casa foi aquela, na mesma rua, da mesma cor, por onde passei alegre com amor, amor nos olhos e cabelos ao vento durante 28 anos da minha vida. Hoje essa passagem já não me traz alegria nos olhos mas o amor mantém-se bem vivo. As recordações que tão bem me ensinaste a guardar e a preservar, essas continuam cá.
Dizem-me que partiste mas eu continuo a olhar para ti e a pensar em ti todos os dias, como se estivesses aqui. Dizem-me que partiste e que quando alguém parte vamo-nos esquecendo da sua voz, mas eu não consigo esquecer essa voz que me chamava, esses olhos que me olhavam, esse braço que me aconchegava, esse sentimento que me amava.
Há quase quatro anos foste a pessoa de quem mais me custou despedir, hoje és a pessoa de quem ainda não consegui aceitar que partiu. 
Sempre que volto a casa, vou-te visitar como fiz ao longo destes anos que estive longe, hoje continuo a fazer mas tu não me respondes porque estás bem mais longe.
Amanhã entro na minha última estadia na idade dos vintes. Longe de casa, longe de quem me trouxe ao mundo, longe da minha cidade, longe de quem me viu nascer e crescer, longe de quem aprendi a ser o que sou hoje….mas amanhã o que me vai custar mais não é tudo isto, amanhã, o que me vai custar mais é saber que não te vou ouvir a dar-me os parabéns.


Foto: André Carvalho
Local: Tavira
Data: Abril de 2012
Texto: André Carvalho

sexta-feira, 13 de abril de 2012

O mar não me traz tua voz




Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.
Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder.
Tu vieste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci.
E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor
Que aprendi.
De novo vieste em flor
Te desfolhei...
E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós.

Foto: André Carvalho
Local: Manta Rota
Data: Março de 2012
Texto: E depois do adeus (Paulo de Carvalho)

quinta-feira, 29 de março de 2012

Num abraço



Passo a passo
Sem ter medo
Abrimos, soltámos
O nosso segredo

E a sorrir
Devorámos o mundo
Num abraço
Tão profundo
Foto: Eliseu Machado
Local: Sintra
Data: junho 2008
Texto: Lara Li (telepatia)

sexta-feira, 23 de março de 2012

Será






Será que ainda me resta tempo contigo,

ou já te levam balas de um qualquer inimigo.
Será que soube dar-te tudo o que querias,
ou deixei-me morrer lento, no lento morrer dos dias?

Será que fiz tudo que podia fazer,
ou fui mais um cobarde, não quis ver sofrer.
Será que lá longe ainda o céu é azul,
ou já o negro cinzento confunde Norte com Sul.

Será que a tua pele ainda é macia,
ou é a mão que me treme, sem ardor nem magia.
Será que ainda te posso valer,
ou já a noite descobre a dor que encobre o prazer.

Será que é de febre este fogo,
este grito cruel que da lebre faz lobo.
Será que amanhã ainda existe para ti,
ou ao ver-te nos olhos te beijei e morri.

Será que lá fora os carros passam ainda,
ou estrelas caíram e qualquer sorte é bem vinda.
Será que a cidade ainda está como dantes
ou cantam fantasmas e bailam gigantes.

Será que o sol se põe do lado do mar,
ou a luz que me agarra é sombra de luar.
Será que as casas cantam e as pedras do chão,
ou calou-se a montanha, rendeu-se o vulcão.

Será que sabes que hoje é domingo,
ou os dias não passam, são anjos caindo.
Será que me consegues ouvir
ou é tempo que pedes quando tentas sorrir.

Será que sabes que te trago na voz,
que o teu mundo é o meu mundo e foi feito por nós.
Será que te lembras da côr do olhar

quando juntos a noite não quer acabar.
Será que sentes esta mão que te agarra
que te prende com a força do mar contra a barra.

Será que consegues ouvir-me dizer
que te amo tanto quanto noutro dia qualquer.
Eu sei que tu estarás sempre por mim
não há noite sem dia, nem dia sem fim.
Eu sei que me queres, e me amas também
me desejas agora como nunca ninguém.
Não partas então, não me deixes sozinho
Vou beijar o teu chão e chorar o caminho.
Será....
Foto: André Carvalho

Local: Tavira
Data: março 2012
Texto: Será (Pedro Abrunhosa)

domingo, 18 de março de 2012

my eyes and my mind




And so it is
Just like you said it would be
Life goes easy on me
Most of the time
And so it's
The shorter story
No love, no glory
No hero in her sky

I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...

And so it is
Just like you said it should be
We'll both forget the breeze
Most of the time
And so it's
The colder water
The blower's daughter
The pupil in denial

I can't take my eyes off you
I can't take my eyes...

Did I say that I loathe you?
Did I say that I want to
Leave it all behind?

I can't take my mind off you
I can't take my mind off you
I can't take my mind...
My mind... my mind...
'til I find somebody new




Foto: André Carvalho
Local: Manta Rota
Data: janeiro 2012
Texto: The BLower´s Daughter

domingo, 11 de março de 2012

Esperar


Teus sinais
Me confundem
Da cabeça aos pés
Mas por dentro
Eu te devoro,
Teu olhar
Não me diz exato
Quem tu és
Mesmo assim
Eu te devoro...

Te devoraria
A qualquer preço,
Porque te ignoro,
Te conheço,
Quando chove ou
Quando faz frio,
Noutro plano
Te devoraria
Tal Caetano
A Leonardo DiCaprio...

É um milagre,
Tudo que Deus criou
Pensando em você,
Fez a via-láctea
Fez os Dinossauros,
Sem pensar em nada
Fez a minha vida
E te deu,
Sem contar os dias
Que me faz morrer,
Sem saber de ti
Jogado à Solidão,
Mas se quer saber
Se eu quero outra vida
Não! Não!

Eu quero mesmo é viver
Pra esperar, esperar
Devorar você...

Foto: André Carvalho
Local: Tavira
Data: Setembro 2010
Texto: Te Devoro (Djavan)